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    10/9/2009

    Florindo

    Se eu pudesse ser por inteiro 
     
    o pensar atônito diante da criação assim expressaria.
     
    A flor e a sua promessa de uma fruta doce.
    9/29/2009

    Retratos

     
     
    Já rasguei fotos quando julgava anular momentos de contentamento
     
    hoje amargos.
     
    Verde ainda, acreditava na destruição como fonte geradora a seguir.
     
    Imagens, redutos de ácaros, perdidas na memória
     
    trancadas numa gaveta qualquer, apenas bolsões do tempo,
     
    pálidas retratando fios da meada da vida.
     
    As digitais são deletadas ou editadas,
     
    substituindo ou anulando detalhes
     
     que a mente registra no flagrante instântaneo.
     
    5/11/2009

    Horizonte

    A vivência é algo reprovável
    quando o firmamento esquecido
    não retem a luz pelo meu retardo
     
    Sou em momentos, um banco à espera
    de um cansaço solidário
    torne-se companhia
     
    Indiferente para a natureza, uma vez morta,
    transformada na criação humana, finita
     
    A luz no horizonte convida
    No recosto, uma mente sobrecarregada
    lança ao largo um apelo de vazio
     
    2/12/2009

    Nem tudo é móvel

     
    Nem tudo é fixo.
     
    Exceto o pensar
     
    Latejo infinito.
     
    Uma prova de vida
     
    De restauração do ser.
     
     
     
    1/16/2009

    Fala

    Há momentos que falo e preciso ser ouvida.
     
    Noutros, é bom que ninguém me escute.
     
    Na maioria das vezes, eu preciso aguçar
     
    os sentidos do ouvir.
    1/8/2009

    Emoção

     

    As cores da natureza pertencem a íris

    O gráfico colore o cérebro

    que flagra

    a emoção de estar viva

    com a convivência divina.

     

    imagem http://prateteraqui.blogspot.com

     

     

     

    1/2/2009

    Fascinio

    O abandono me fascina
    Não digo o estar abandonada
    A atração é para o deixado para trás
    O que parece esquecido
     
    Manchas na parede
    Tintas vencidas pelo tempo
    Poeira dominada pelo vento do olvido
     
    Vejo a marca do relógio que parou
    Sinto vida no cinza largado por vivas mãos
    Pálida lembrança
    De intensos momentos
    12/9/2008

    Bem querer humano

    Nada é mais humano do que rir do outro
    E bater toda a sua raiva no próximo.
     
     
     
    Nada é mais angelical do que sorrir com o outro
    E acariciar a face para conter a raiva próxima.
     
     
    11/5/2008

    Estátua

     
    Em algum momento,
     
    o desejo da fama me sacudiu
     
    queria ser lembrada,
     
    uma estátua na praça próximo à minha casa.
     
    Seria talvez, mais concreta.
    10/22/2008

    Espreita

    O pensar espreita a idéia,
    que foge.
     
    A idéia espreita a ação, que executa.
     
    A ação depende do pensar que não se esquiva.
     
    Em todo momento, é impossível não sentir a natureza
     
    que me espreita.
    10/13/2008

    Azul

    O azul tem uma forte atração.
     
    É a sinalização do caminho que vai longe
    E que em muitas ocasiões,
     
    Alcançamos sem o cansaço
     
    Das horas,
     
    Sem as pedras no caminho.
     
     
    9/29/2008

    Universo

    O escrever tem um quê de carência.
    É necessária a leitura de olhos atentos, observadores, que não vacilam diante
    do que se diz.
     
    O ler é um reter da emoção que o outro move, ignorando quase sempre
    o que pode causar.
     
    É necessário escrever. As palavras vão para o universo que o poeta fita.
    9/5/2008

    Razão e emoção

    A razão é uma emoção moderada.
     
    A emoção tem razões para atingir os céus.
     
    Entre a razão e a emoção fico com as duas.
     
    Sou assim: emotiva por razões infindas
     
    Racional por me emocionar com a palavra,
     
    a letra que tem razões de ser.
    7/14/2008

    Exibição

    pavão albinoPara nós, o animal em si é um exibido. Esquecemos que a beleza fundamental para a exibição é uma prova inconteste do que a realeza natural impera. Enquanto nós outros enfeitamo-nos escondendo o feio e inventando o belo.
     
     
    7/10/2008

    Raridade

    Raro para o triste é conhecer a alegria.
    Difícil para o alegre é conhecer a tristeza.
     
    É por isso, que quem se hospeda nesses provedores, surta pelo caminho e se perde em destinos sem luz.
     
    Quem sabe a reunião dos dois eclipsaria os tons defendidos e implodiriam num arco - íris.
     
    Da nuvem de cores, o lilás cura a dor, que se despede para não mais voltar.
     
    Seja lis, lilás.
    7/8/2008

    Clareza

     
    Reclamo clareza com precisão desconhecida.
     
    Ela surge. 
     
    Perdida, mais uma vez, apenas vejo na superfície
     
    o que é mostrado a fundo.
    6/30/2008

    Perspectiva

    Com quantas flores dá para medir o prazer de recebê-las?
     
    Uma me transporta a alegria de saber que sou lembrada.
    Duas flores alegram o ambiente que convivo.
    Três delas colorem o pensar altivo.
    Quatro flores são pares de lembranças que se prolongam.
     
    Acima desse número, não é exagero. É uma forma de expressar que prazer não se mede.
    6/18/2008

    Ignoro

    Já me cobraram quebra do silêncio. Ignorei.
    Reclamaram-me palavras não ditas, não escritas.
     
    Só nunca me perguntaram por que razão calei-me.
    5/16/2008

    Recosto

    O que há de mais concreto na natureza serve de recosto  para o que pode se tornar mais frágil.

    A interpretação limitada me informa que a beleza não perdura, mas é o que mais me comove.

    5/6/2008

    Rotina

     
    O pensar é uma rotina necessária.
     
    Contínuo por natureza, é o terminal da mente que não é passageira.
     
    É o transporte da idéia do ser.